LINGUAGEM INCLUSIVA

 

por xLucianax

 

Uma linguagem que exclui as pessoas e que as torna uma voz sem som não pode ser neutra, pois a partir do momento em que simplesmente usamos o termo "homem" como uma referencia a um conjunto de individuos diferentes em gênero, fazemos com que outras pessoas (nós mesmas) não sejam ouvidas.

Há algum tempo, recebemos todos os coletivos da rede CMI Brasil, uma proposta da lista global IMC Womyn (que foi repassada pelo CMI Mulheres) para a inclusão, nos processos de aprovação de novos indymedias, um questionário sobre a diversidade d@s voluntári@s: Até que ponto nossos coletivos refletem a diversidade? Como é a participação de mulheres em nosso projeto? Desde então temos discutidos este tema e cada coletivo está elaborando a melhor forma de fazer a inclusão das chamadas "minorias" nessa nova linguagem. Sabe-se que a nossa linguagem é totalmente patriarcal, racisa e homofóbica porque o modelo padrão é o do homem-branco-heterossexual-ocidental-cristão. E onde fica a diversidade? Será que essas características representa a todas? Claro que não! Chega de nós mulheres sermos representadas pelos homens, e os negros e homossexuais onde ficam? Vamos desafiar as regras gramaticais que instituem o uso do "masculino" para significar o genérico e reforçando a invisibilidade de, pelo menos, metade da população que se identifica com o gênero feminino criando uma linguagem mais justa e ética que negue a palavra "homem" como sinônimo de humanidade, ser humano, como acontece na linguagem padrão. As menores injustiças que passam despercebidas como: "escuro", "preto" etc. para designar coisas negativas, prestar atenção nas palavras que fala, ouve e escreve e saber como as pessoas querem ser tratadas ex: (a) travesti ou (o) travesti, não é tudo mas já é um bom começo. Os coletivos estão escolhendo a melhor forma de se fazer esta inclusão dentre elas o uso de: "@", "a/o", "x" ou mesmo a afirmação dos dois gêneros, ex: voluntárias e voluntários. O nosso coletivo (cmi-ssa) propõe que se coloque sempre o "a" em todas as palavras que houver plural que envolve gênero. No nosso meio libertário é muito usado o "@" mas não abrange muito pois nem todas pessoas sabem o significado. E pra não atrapalhar na leitura e escrita acredito que usar o "a" facilita bem mais e não fica uma forma complicada. É só explicar no fim do texto que foi usada a linguagem inclusiva de combate.


Não devemos nós preocupar se iremos chocar - é bom que choque mesmo; para algumas mudanças é necessário haver um choque. A comodidade não nos parece justificativa razoável para continuar obedecendo regras carregadas de imaginários de opressão. E que hajam várias discussões sobre o tema que passa batido e que é de suma importância na sociedade pluralista e libertária que estamos lutando para construir. E cada um escolha a melhor forma de se expressar derrubando a dominadora. Vamos dar visibilidade à todas as pessoas e dar prioridades a usar nomes coletivos como "pessoas", "gente" no lugar de "homem".

Vamos dar um basta, chega de representação e exclusão.

 
Texto a ser publicado na Vista, revista do coletivo CMI-Salvador, ainda em processo de construção.